Das coisas que preciso contar.

Então…

Passaram-se meses sem sequer uma linha.  Deu muita vontade de escrever, mas nenhuma atitude – e sim, eu sei, o nome disso é PROCRASTINAÇÂO. E aconteceram tantas coisas… Nesse último ano de trabalho o Sossega Ofélia passou a dedicar-se, como todos já devem saber, inteiramente a produção de itens vegetarianos estritos.

– Ahhhhhh, mas você virou ~vegana~, Priscila? 

Não sei porque a surpresa, mas posso dizer no momento que não, ainda. Como sempre explico – porque acho muito feio e desonesto falar e não fazer – minha dieta é onívora e meu consumo de carnes é bem limitado, desde sempre. Já os outros derivados, não o leite em específico, mas o queijo, os doces… aí eu peco feio. Eu tenho sim desenvolvido com o passar do tempo mais consciência alimentar e repensado intensamente a maneira como me alimento, e como não acredito, não sou adepta e nem pratico nada que configure uma “mudança rápida”, estou mudando gradativamente. Por volta de 2003/2004 fui ovolacto, foi um ano mais ou menos em que me abstive de carnes e não lembro bem o motivo de ter voltado a consumi-las. Mas não recordo ter me feito falta não, até porque sempre preferi consumir mais vegetais.

Do jeito que meu projeto de vida – o Sossega Ofélia – tem crescido é natural que eu abandone o consumo de alimentos (e produtos) de origem animal, por motivações óbvias mas também por coerência. Quanto a ser radical, acredito que tomar atitude sobre algo já é ser “radical a respeito de”. E radical, vem de raiz, e nada mais raiz que alimentar-se de vegetais né não? Muito antes da caça e da carne, haviam os vegetais e certamente vou explorar essas abstrações por aqui com mais frequência, pois mudar inclui refletir.

Com relação ao posicionamento do Sossega, isso aconteceu porque sempre tivemos um público  vegetariano/vegano grande. Talvez porque eu sempre me preocupei em oferecer opções, talvez porque eu cozinhasse muito e quase sempre predominantemente com vegetais, talvez porque as (poucas, diga-se de passagem) opções disponíveis no mercado – e industrializadas – fossem caras, ruins de sabor e de baixa qualidade. Eu precisava alavancar o negócio, acertar o viés de trabalho, encontrar um público alvo, mirar certo pois estava infeliz na profissão e com muita vontade de fazer uma escolha. Então direcionar a “comida de verdade, com qualidade, priorizando ingredientes locais com o mínimo de industrializados ou processados” para esse público foi a deixa e a força motriz que me impulsionou a  me desligar definitivamente da minha antiga profissão e acreditar no sonho com persistência. E aí… Alea jacta est! Em setembro do ano passado estava eu oficialmente desempregada, porém, não menos ocupada.

Não foi um passe de mágica, foi um processo assim como cada passo – certo e errado – que alcunho. E de pé em pé conquistamos – eu, o Sossega e o Marcelo (companheiro de vida e de sonhos) – novos parceiros. Acontece que esse direcionamento fez com que começássemos a aparecer em eventos alternativos, feiras, feiras veganas, bares alternativos; conhecemos outras pessoas e muitas nos influenciaram, nos encorajaram, e algumas até compraram a ideia (mais uma delas…hehe) de montar uma cooperativa. Essa configuração funcionou por alguns meses, mas devido às agendas super infladas e objetivos diferentes, ela deixou de existir. A parceria que se formou, perdura e continuará existindo, claro, e essas lindas aí da foto que antes integravam o  COVEN – Cozinha Vegana, continuam na ativa, cada uma de acordo com suas possibilidades.

             Na sequência, a COVEN: Eu, a Gi, a Carol e a Tuca, no dia do HOT-NOT-DOG no Extranóica Demodè.

Atualmente elas integram o cardápio oficial do Sossega como parceiras, cada uma em sua linha de trabalho e produtos, além de outras marcas locais (Isso tá parecendo um “market place” vegano não é? Quem sabe! 🙂 ). Resumindo: eu queria muito ter um dia com 62 horas, porque 24 é pouco. Precisei reduzir a carga de atividades e a carga mental para me dedicar com mais afinco ao meu projeto de vida, pois não conseguia mais levar as coisas no ritmo do “Stu”, perdendo o controle da vida as 04 da matina – só que no meu caso, estaria produzindo catchup artesanal … hehe.

É claro que vocês devem se perguntar: Mas a Priscila saiu do trabalho pra ter mais tempo e continua sem tempo? Acontece que nesse entremeio, ali pelos idos de março, o aporte mensal do seguro desemprego acabou e como já era de se prever, precisei retomar o mercado de trabalho formal. Deu medo de não encontrar nada, afinal “O Brasil está em crise – eles disseram.”  Pensando nisso, recorri a criatividade e escrevi um anúncio no Facebook, que foi rapidamente lido por um colega, e este me ofereceu uma oportunidade de trabalho meio período – do jeito que eu almejava – como auxiliar administrativo. Agarrei isso com unhas e dentes, e é claro serei eternamente grata (VALEU, <3 Rodrigo!!).

Com o tempo justo, sou forçada a me organizar melhor, certo? Mais ou menos… – {Abre-se chave divagatória aqui!} Já pensei em ser patológico essa coisa de tentar começar um planejamento “N” vezes e não conseguir, contraditório no mínimo, haja visto que sempre fui muito boa planejando a vida alheia, mas esses dias uma pessoa que conheci e trabalhei junto dela na 4ª Startup Weekend de Jaraguá do Sul  explicou que provavelmente isso se deva ao meu perfil forte no “SERVIR”. Faz sentido, já que cozinhar é servir, já que fiz as escolhas que fiz. Lembro também que outra pessoa já me  falou sobre isso há algum tempo, no começo do Sossega,  durante um treino de aikido. Na ocasião assenti com a cabeça, mas não sabia direito a dimensão e a complexidade do que significa a palavra SERVIR, enfim, vida que segue!{Fecha-se chave divagatória aqui!}-

Respiro fundo e no tempo em que estou digamos ~livre~ me desdobro entre casa, produção, eventos, planejamento, aikido (que tá bem abandonado e meu sensei tá querendo meu rim…) e mais as 35.000 atividades que assumo achando que dou conta e que sou a “power woman holística realizadora da parada toda” só que não.  Depois vocês olham a agenda, e a gente conversa sobre gerenciamento de tempo (só que não), nos abraçamos e gargalhamos juntos, porque chorar não resolve nada! Bom, por hora é isso. Já contei uma parte do que está acontecendo em nossa jornada rumo ao sucesso, não vou prometer nada porque eu sei e todo mundo já sabe que sou bem atrapalhada, mas sei também que preciso fazer as coisas acontecerem e que DEVO isso a mim mesma, afinal de contas também SOU GENTE QUE FAZ!  

Pra fechar vou deixar aqui um print do perfil de uma amiga, a Cris Taylor que é psicóloga, coaching e empreendedora. Aliás, ela tem um trabalho maravilhoso ajudando pessoas a realizarem  – e eu não sei exatamente porque não procurei/acetei a ajuda dela mas vocês tod@s podem e devem procurar. Teimosia é uma qualidade que pode ser confundida com persistência, mas na verdade é um defeito a ser trabalhado e corrigido pois custa caro, viu gente?

Abraço grande e que o universo nos guarde ótimos ventos!

Priscila (Ofélia) Dal Bosco.

P.S. : Esse post dedico com carinho às pessoas que cruzaram nossa jornada até aqui, não vou citar todos os nomes e links de páginas porque seria injusto esquecer de alguém… mas vocês sabem: Gratidãozão! 

 

 

2 comentários sobre “Das coisas que preciso contar.

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