Artes marciais e alimentação: prática, planejamento e persistência!

Boa noite Sossegados, tudo bem?

Semana passada tive uma notícia chata: A faculdade de gastronomia não vai acontecer agora, infelizmente… já me imaginava na versão estudante novamente, ansiosa para exercitar minha nerdisse enrustida e sufocada nos últimos anos, mas tudo bem! Só terei que esperar mais um semestre e depois “partir para o abraço“! O negócio é segurar a ansiedade, pensar positivo e focar na luz do fim do túnel – porque sim, ela existe e está lá, porém é preciso persistir. Sabe aquela história de que quando você insiste muito em algo naquele momento em que as coisas teimam em não andar, em não se encaixar, em não dar certo? Não significa que você precise desistir, às vezes você precisa parar e refletir sobre, pensar fora da caixa, achar outra via, outras alternativas, calcular o risco e não recuar – mas repensar… e isso também é um ensinamento que o aikido traz para mim todos os dias. Quando comecei a treinar ano passado, fui despretensiosamente aprender uma segunda arte marcial movida pela curiosidade e pela filosofia. No começo me sentia desconfortável, estranha, patética. Não que o Sensei ou os colegas de treino me passassem isso, mas talvez essa seja uma reação natural inicial, e com o tempo essas sensações foram se dissipando.

Você vai aprendendo, assimilando, entendendo os movimentos e a naturalidade da sintonia de cada um deles com a natureza humana, cria confiança nos colegas e se desarma. Quem já assistiu a um treino, ou já teve a curiosidade de procurar alguns videos no youtube sobre o aikido, pode observar – o que também foi surpreendente para mim – que os deshis (alunos) caminham com as mãos abertas, com as palmas viradas para frente: isso dentro da cultura, dentro do tatame, significa que o indivíduo está desarmado. E assim como a prática da etiqueta e do costume dentro do dojo é um exercício contínuo, procuro carregar esse aprendizado para fora, para a vida mesmo, mudar o que preciso em meu comportamento e retornar ao treino com a mentalidade amadurecida, disposta a processar novos aprendizados. Entendo que se estamos sempre “armados”, estamos sempre na “defensiva” e nos fechamos… assim fica mais difícil receber um ensinamento e por consequência, assimilar as adversidades cotidianas, concordam? Já assistiram “O último samurai” com o Tom Cruise? Então assistam e percebam a estranheza dele no início ao conviver com um conjunto de regras, cultura e valores totalmente diferentes do que o personagem trazia! Vou colocar aqui um link com um trecho do filme, que no meu ver representa bem como percebo o conjunto compreensão + aprendizado + cultura que o aikido tem representado para mim desde o primeiro dia em que coloquei os pés no dojo:

Bem, agora você deve estar se perguntando “e o que isso tudo tem que ver com comida“? Te respondo que tem muito, não exatamente com comida, mas com esforço, com dedicação, com aprimoramento. Uma técnica só é bem executada após ser repetida inúmeras vezes, estudada, levada a sério. Se quisermos mesmo que algo mude, que comecemos por nós e por nossas atitudes, certo? Então, nesse meio tempo, enquanto não é possível voltar para o campus, absorvo esse pequeno revés me empenhando na busca de conhecimento e aperfeiçoamento, seja na prática do hábito de cozinhar, seja na busca por novas referências, seja na prática da palavra escrita, seja nas novas experiências e tentativas e ainda no investimento em novas ferramentas de trabalho. Foi necessário me desarmar, esquecer o discurso pronto e montar uma nova estratégia!

Por fim, para costurar a conversa, vou esclarecer que esse post é a terceira  parte da primeira série em que falo sobre alimentação e artes marciais, e o intuito dela foi contar um pouco do meu cotidiano, de como levo a vida me dividindo entre várias atividades e ainda assim, cozinhando quase que cotidianamente. Dá um pouco de trabalho, mas com um foco e o mínimo de organização é possível!! Então, se você ainda não criou coragem para enfrentar a cozinha e parar de comer sopinha de pacote, com a desculpa de que “é dispendioso”, que é “complicado” ou a pior delas, de que “é caro”, desarme-se! Foi com muito carinho que hoje trouxe essa receita fácil e saborosíssima para te incentivar a sair do marasmo: uma sopa cremosa de mandioquinha salsa que também é ótima para quem pratica atividades físicas, inclusive para seu consumo no pós treino, baseado no que li sobre alimentação.

– Na verdade, nunca respeito adequadamente essas orientações de pré e pós treino, sempre como o que tenho vontade e não me preocupo muito com um corpo “talhado”. Acho legal cuidar da saúde, mas meus objetivos vão um pouco além do culto ao físico e sim adquirir hábitos saudáveis, fazer e comer comida de verdade e praticar atividades físicas que vão muito além da competição! – 

E agora, vamos ao passo a passo? Inicialmente pensei em fazer esse post com duas receitas, mas depois percebi que iria ficar muito extenso, então a minestra (sopa de feijão) fica para uma outra ocasião, quando formos conversar sobre reaproveitamento e desperdício nas próximas semanas, ok?

Vamos lá?

Sopa cremosa de mandioquinha salsa

A mandioquinha salsa, ou batata salsa, é parente da cenoura e não do aipim – como muita gente pensa. É um tubérculo ligeiramente adocicado, fonte de potássio, vitamina C e fibras, só para destacar o que mais me interessa, sem citar os outros componentes amigos da saúde. É um alimento originário dos andes e cresce muito bem em regiões frias, inclusive a geada é fundamental para uma boa colheita. Adequadíssima ao inverno, resolvi compartilhar a receita dessa sopa cremosa pensando justamente naquelas horas em que chego em casa do treino, depois de pedalar no frio (sim, adotei a bicicleta – salve-se quem puder e evitem transitar por perto, ainda estou muito descoordenada, mas logo pego o jeito!) e quero algo quentinho para comer que não pese muito no estômago. Guardo porções individuais no congelador e “mando brasa” sempre que tenho vontade, inclusive na semana que antecedeu o exame de faixa do aikido, essa solução me rendeu uma boa fonte de fibras no pós treino.

Para fazer essa receita você vai precisar de: Panela para cozinhar no vapor, caçarola simples, descascador de batatas (ou de legumes), faca grande e faca pequena, garfo e uma tábua para cortes.

Ingredientes:

– 600g de mandioquinha salsa descascada e cortada em rodelas grossas;

– 1L de água (aproximadamente);

– 1 cebola picada miúda

– 2 dentes de alho picado miúdo

– 20ml de azeite (cerca de 2 colheres de sopa)

– sal a gosto

– salsinha / cebolinha a gosto;

– pimenta a gosto

Preparo:

1. Coloque a mandioquinha em uma panela para cozinhar no vapor, (caso você não tenha uma panela dessas, pode cozinhar na panela com água, porém, cozinhe com casca e retire a mesma após o cozimento).

Mandioquinha cozinhando

2. Confira sempre o ponto da mandioquinha espetando com um garfo, quando este penetrar facilmente no tubérculo, ela estará devidamente cozida. Reserve a mandioquinha e não descarte a água que ficou do cozimento – ela dará textura à sua sopa cremosa!

3. Aqueça uma caçarola alta, coloque o azeite e em seguida acrescente a cebola. Quando ela começar a dourar (após uns dois minutos), acrescente o alho. Doure o alho por mais um minuto.

cebola e alho

4. Enquanto o alho e a cebola douram, amasse a mandioquinha cozida com um garfo rapidamente, e assim que o alho e a cebola estiverem dourados, coloque-a na panela e acrescente a água que ficou na panela de vapor. Não precisa amassar muito a mandioquinha, ela se desmancha bem sozinha com a água.

sopa cozinhando

5. Acrescente o sal e a pimenta a gosto, apure até obter uma consistência cremosa. Se preferir ela bem lisinha passe no liquidificador ou no mixer, eu prefiro mais rústica com pedacinhos da mandioquinha. Sirva com salsinha e cebolinha picadas na hora!

Pure finalizado

 E aí, vai arriscar?

Ah, essa opção é vegana, ou seja, não tem nada de proteína de origem animal em seus ingredientes, mas se você não dispensa a carne, ela fica ótima com bacon, costelinha, linguiças e outros embutidos de sabor pronunciado. Outra hora explico como acrescentar esses sabores à sua receita, mas se você tiver dúvidas e quiser conversar sobre, basta deixar uma mensagem aqui nos comentários que terei o maior prazer em responder!

Abraço grande, “ganbatte kudasai” e #vapracozinha!

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