Artes marciais e alimentação: a filosofia na vida e as etapas de receitas que desintoxicam e renovam – parte II

E aí Sossegados, tudo bem?

Quinta passada foi ao ar o post sobre Aikido e qualidade de vida, onde contei sobre os eventos recentes que motivaram minha vida e por consequência, o Sossega! Acreditem, essa arte marcial opera maravilhas em nosso comportamento e nos conduz a uma postura mais equilibrada diante da vida – como os Samurais. Como continuação, prometi montar as receitas que fiz durante aquele período em um passo a passo, compartilhando assim mais um pedacinho da minha experiência na cozinha e também os resultados da combinação da atividade física (aikido) com uma alimentação adequada que visava controlar principalmente a ansiedade em momentos tensão emocional.

De início optei por fazer alguns Smoothies, que nada mais é um nome bonito para a nossa tão conhecida “vitamina” de frutas. Algumas receitas levam iogurte natural (tem que ser iogurte mesmo, fique atento ao rótulo para não levar para casa um combinado de produtos químicos de nomes impronunciáveis com leite, ok? ), sorvete ou até mesmo leite, mas a que fiz leva poucos ingredientes, não tem lactose, nem açúcar refinado ou quaisquer outros aditivos químicos. A escolha da combinação foi resultado de uma rápida pesquisa sobre o potencial de certos alimentos, que me garantiram saciedade, alcalinizaram o sangue e me davam a sensação de saciedade, evitando que eu descontasse toda a ansiedade na comida.

Smoothie

Para esse Smoothie, muito simples, você vai precisar de um liquidificador potente (de preferência) e dos seguintes ingredientes:

– 2 bananas de sua preferência

– 1 colher de sopa de chia ou linhaça

– 1 limão (suco)

– 100ml a 200ml de água

Embora simples,o preparo você precisa começar de noite para tomar manhã seguinte, pois uma das bananas precisa ser congelada. Proceda da seguinte forma: Descasque e corte uma das bananas em rodelas, acomode em um recipiente adequado e leve ao congelador. Na manhã seguinte, basta colocar a banana congelada no liquidificador junto com a outra banana em temperatura ambiente, a chia, o suco do limão e os 100ml de água (cerca de meia xícara). Se o seu liquidificador não for muito potente, vá pulsando até ficar bem cremoso, mas se preferir um textura mais fluida, acrescente o restante da água indicada na receita.

Como vocês perceberam, não tem segredo, não precisa de açúcar e muito menos de adoçante! A banana já tem açúcar suficiente, além de ser rica em potássio, que vai te prevenir contra câimbras durante a prática de atividades físicas, possui também propriedades calmantes (não é a toa que é o primeiro alimento indicado para a alimentação dos bebês após o desmame) . O limão é fonte de vitamina C, age como antisséptico, antibiótico, equilibra o ph do sangue, é estimulante e combate a fadiga – vai fortalecer sua imunidade e desintoxicar o organismo. A chia tem propriedades gelatinosas que vão causar a sensação de saciedade, é uma oleaginosa, ou seja, fonte de “ômega”  e possui ações calmantes, agindo contra a ansiedade e depressão – isso vai evitar que você coma inadvertidamente alimentos desnecessários pelas próximas três horas, no mínimo.

É claro que ninguém vai obter os benefícios dos alimentos da noite para o dia, é preciso uma disciplina, um uso constante para que ao longo de um determinado período possa se obter os resultados – como a disciplina e o aprendizado das artes marciais. Também gosto de ressaltar que não sou nutricionista, portanto se você necessita mesmo de uma dieta equilibrada, procure um profissional que possa te orientar da melhora maneira possível. Você pode também troca alguns ingredientes, substituir a chia pela linhaça, que além de mais barata possui praticamente os mesmos benefícios; também fica muito gostoso se você substituir a banana na temperatura ambiente por manga, goiaba ou morango, por exemplo! No mais é só se deliciar que fica tudo certo!!!

Na sequencia, vem o “creme de couve-flor”, uma hortaliça rica em cálcio, fósforo, baixo teor de sódio e calorias, além de ser livre de gorduras e colesterol. Pertence a mesma família do repolho, do brócolis e da couve comum, a Brassicácea (*). Por ser sensível ao manuseio, a couve-flor deve ser o último item a ser comprado da sua lista: escolha sempre as mais compactas e clarinhas, pois as partes escuras e machucadas apodrecem mais rapidamente. Esse vegetal também tem propriedades anti-inflamatórias (**), por isso considerei a receita ideal para um pós treino: pouco calórica e com ações que potencializam a cicatrização de hematomas que podem ocorrer depois de um treino extenuante (mais ou menos o que aconteceu no “intensivo” pré exame de faixa do aikido!!!)

A receita original foi extraída do livro da Bela Gil – pausa aqui  que vou fazer uma intervenção: – Ok, sei que muita gente vai me tripudiar aqui porque ela tem umas ideias meio sem noção, que ela é filha do Gilberto Gil e que isso e isso e mais isso e, mimimimimi ….chiclets,batata, wiskas sachê…rsrs… mas a moça é nutricionista, tem um currículo bacana de pesquisa sobre alimentação natural e tem seus méritos. Como tudo na vida, a gente precisa filtrar o que nos cabe ou não, e utilizar o que melhor nos apraz sem ficar criticando ou dispendendo energia com discussões que não nos agregam nada: isso também é um ensinamento que as artes marciais, em suma o aikido, trouxe com mais ênfase para a minha vida. Porque né, falar é fácil, mas praticar todos os dias… –

Então, voltando à receita, fiz algumas modificações para que ela tivesse mais “TOMPERÖ” (como diz o chef Erick Jacqin no programa reality  “Masterchef Brasil”) e também ficar mais do meu agrado – a original tinha menos ingredientes: apenas a couve flor, alho poró, azeite, água, sal e pimenta, já a minha acresci de cebola e abobrinha (porque abobrinha + cebola + alho poró formam uma combinação de sabor delicada e auxiliam a realçar os sabores dos outros ingredientes, é uma versão refinada do mirepoix, que tradicionalmente combina cebola, cenoura e salsão). O alho poró é uma hortaliça da mesma família da cebola e da cebolinha, de natureza condimentar, ou seja, utiliza-se muito em complementos aromáticos (temperos), também é rico em vitaminas A, B, C.

Montei um passo a passo bem prático, para motivar vocês a irem para a cozinha sem medo, ok? A vantagem é que você pode preparar uma quantidade maior desse creme e congelar em porções para comer outros dias… além do que sopa+ frio… hummmmmmmm… Vamos lá?

– Para executar essa receita, você vai precisar dos seguintes utensílios: uma panela que caixa a cabeça de couve flor para cozinhar, um liquidificador, uma tábua para corte, uma faca pequena e outra grande (bem afiadas), um moedor de pimenta (com pimenta é claro) e uma colher de madeira ou bambu – 

Creme de Couve Flor

Ingredientes:

– 1 cabeça de couve flor cozida;

– 1 talo de alho poró (ou porro, como preferir!) picado miúdo;

– 1 abobrinha (aquela verde e branca, bem comum), picada bem miúda;

– 1 cebola média picada miúda;

– água (cerca de 500ml);

– 3 colheres de sopa azeite de oliva (se você preferir pode usar óleo de soja, girassol, milho ou canola, fica a seu critério);

– sal e pimenta branca ou preta moída na hora a gosto;

– cebolinha verde picada a gosto para finalizar.

Mise en place

Modo de preparo:

– Corte os galhos da couve flor e lave-os bem, seguindo os procedimentos de higienização que já comentei em posts anteriores, como esse aqui. O talo central você pode cortar em pedaços menores, cozinhar e aproveitar ou fazer o processo de branqueamento e congelar, que é o que costumo fazer para utilizar em outros preparos. Leve ao fogo médio em uma panela com pouca água, não é necessário cobrir toda a couve flor, porque o vapor da água irá cozinhar bem a hortaliça, tampe e dentro de 15 a 20 minutos, a couve flor estará cozida; para se certificar basta espetar com um garfo, que deverá penetrar com facilidade. Reserve e não jogue fora a água do cozimento.

– Descasque e corte a cebola em cubinhos e enquanto a couve flor cozinha, higienize e corte o alho poró como indicado nas fotos 2 e 3, você retira as folhas e a raiz e corta em rodelas fininhas e depois pica em cubinhos. Quanto menor melhor, mais sabor ele soltará! As folhas você pode utilizar em outros caldos ou preparos, eu costumo picar e congelar normalmente. A abobrinha, na figura 4,  após lavada, corte no sentido do comprimento, depois em tiras e em seguida em cubinhos, sempre bem pequenos para preservarmos bastante o sabor. Reserve.

Ingredientes e couve

– Coloque a couve flor cozida junto com a água do cozimento no liquidificador e bata bem por alguns minutos até que ela vire um creme denso. Se precisar acrescente mais água, mas normalmente não é necessário. Reserve.

– Leve uma panela ao fogo baixo, aqueça, despeje o azeite e em seguida a cebola. Deixe ela “suar” por dois minutos e em seguida acrescente o alho poró. Doure essa mistura por uns dois minutos também e em seguida coloque a abobrinha, refogando por aproximadamente cinco minutos, sempre mexendo para não queimar!

– Por último coloque a couve flor processada e o sal, mexa rapidamente e deixe engrossar. O tempo de cozimento é de no máximo vinte minutos, sempre em fogo baixo – médio, com a panela aberta ou semi-tampada. Não precisa acrescentar nenhum outro espessante (amido de milho ou farinha) para ela ficar cremosa!

cabola alho e sopa 2
Desculpem a qualidade dessas fotos, a lente embaçou e acabei não conseguindo corrigir no photoshop como deveria (não sou lá muito experiente com a ferramenta, mas estou melhorando). Assim que produzir outras, troco essas aqui, ok?

– Para finalizar basta você colocar cebolinha picadinha e servir! Fica uma delícia, muito consistente e leve! Boa sorte, ou melhor Ganbatte!!! E personalize sua receita ao seu gosto!!

Sopa Final ed

E então, gostaram? Espero que as informações tenham sido úteis a todos e que com o tempo todo mundo se volte para suas panelas! Como já disse anteriormente, cozinhar é libertador! Ah, todas as receitas desse post são veganas, mas mesmo quem não é, pode consumir a vontade sem medo de ingerir proteína de soja ou qualquer gordura vegetal hidrogenada! No início da receita do passo-a-passo, coloquei os itens que você irá necessitar, inclusive já falei sobre alguns deles recentemente aqui no blog, então, como de praxe, tudo o que é referência virtual está destacado no corpo do texto em vermelho com o link – se tiverem curiosidade é só aproximar o cursor do mouse e clicar que abre direto a página consultada, ok?

Abraço grande e até a próxima!

P.S.: As referências bibliográficas físicas, digamos assim para os livros que utilizei, estão a seguir:

* LANA, Milza Moreira. 50 hortaliças: como comprar, conservar e consumir. 2ª Edição, Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2010.

** GIL, Bela. As receitas / Bela Gil. 1ª Ed. São Paulo,SP: Globo Estilo, 2014.

Esse manual da Embrapa adquiri no mês passado e é uma excelente fonte de referência para pesquisa, ensina inclusive como escolher os vegetais, como consumir, dá dicas de conservação e de quebra, fornece algumas receitas boladas por nutricionistas da instituição. Vale a pena adquirir, é super barato (custou a bagatela de R$ 24,00) e você pode comprar via site da biblioteca da Embrapa neste link aqui. Chega super rápido e compras acima de R$ 40,00 tem frete grátis para todo o Brasil. Aproveitem para dar uma namorada nos títulos disponíveis por lá! 

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