O que tem na geladeira e na despensa: O falso risoto que nos salva da fome!

Salve salve Sossegados! 
Tudo bem? Tudo frio? 
 
Hoje vamos falar do RISOTO, aquele lindo e delicioso prato tradicional que quase todo mundo gosta: seja de frango, de carne, de funghi, de camarão, de queijos, verde e até de berbigão (ou vôngole para os italianíssimos), não importa! É só falar nele que penso naquele arroz cremoso (hummm….),  cheio de temperos (hummmmmm²….) e hiper saboroso! 
Salivou? 
Então vou te contar que o risoto é fruto de um acidente culinário! 

Sim, um acidente que acabou aprovado e reconhecido mundialmente, e até hoje enche os olhos – e a boca dos comilões e degustadores de plantão! 
Valerio de Fianders, belga, mestre na arte da vidraçaria e um excelente cozinheiro,  trabalhava na construção da Catedral de Milão e utilizava inúmeros condimentos e corantes naturais em suas obras. Eis que no casamento de sua filha, Valerio ao preparar o risoto oferecido aos convidados, deixou cair acidentalmente – talvez em sinal de ciúmes da filha – um pedaço de açafrão tingindo o prato de amarelo…
E foi assim que nasceu a receita original: o “Risotto alla Milanese”!  
Tradicionalmente utiliza-se o arroz arbóreo – mais barato e muito comum em risotos que levam carne, ou o arroz carnaroli, de origem sarracena (árabe / muçulmana), que é um arroz pequeno com grande concentração de amido –  o que faz a “liga” e dá aquele aspecto “cremoso”. 
O vinho, ingrediente encontrado na maioria das receitas por aí, é utilizado para fazer o amido se soltar dos grãos e conferir a medida certa de cremosidade, embora muitas pessoas utilizem o creme de leite para surtir o mesmo efeito no arroz comum – o que eu não acho muito interessante e prefiro utilizar o requeijão ou a manteiga mesmo, mas aí é da preferência de cada um.
Bom, mas como a conversa aqui não é exatamente sobre um legítimo “Risotto” e sim sobre um “Falso Risoto”, quem quiser mais informações sobre como usar esses grãos especiais, tem algumas dicas bacanas nesses links aqui e aqui – então é só se arriscar! 
A questão é que nem sempre dispomos de “numerário” para comprar aquele arroz especial e um bom vinho branco para preparar um autêntico risoto! A realidade é que muita gente prepara suas refeições na véspera e necessita lançar mão daquilo que tem em casa, e o que acontece é que muitas vezes falta a criatividade e bate aquela preguiça – por não saber utilizar os ingredientes ou por simples medo de arriscar e fazer de um momento prazeroso resultar numa bela “gororoba”! 
Em casa, sempre arrisco o que chamo de “risotinho” pois muitas vezes sobra “um pouco de tudo” na despensa – fruto das experimentações e pesquisas que faço para montar os cursos e as propostas de eventos do Sossega. 
É aí que a cabeça, durante o dia, começa a fazer as ligações do tipo: isso combina com isso, com esse tempero, com aquele sabor, e tem na geladeira aquele outro que sobrou daquela situação… e de repente, aparece aquela sensação de mágica… e lá vou eu para a cozinha inventar mais uma receita! 
Então só para ilustrar essa conversa básica, vou passar aqui algumas diretrizes dos últimos “risotinhos” que fiz, mas não se tratam exatamente de uma receita completa… isso é você quem pode montar de acordo com aquilo que você dispõe! 
Vamos lá? 
 
Fotos: “Risotinho” de Tomate Seco e “Risotinho” de Grão de Bico
 
 
Falso Risoto de Tomate Seco com Ervilhas
 
Ingredientes: 
 
– 5 xícaras de cafézinho de arroz parbolizado (o amarelo mesmo, de todo dia!)
– 150g de ervilha seca
– 50 g de tomate seco desidratado
– 1 cebola pequena bem picadinha
– 2 dentes de alho micados e amassados com o garfo
– 1/2 collher de chá de bicarbonato de sódio
– 1/2 colher de chá de páprica picante
– 1 pitada de noz moscada em pó
– cebolinha verde a gosto
– 1 colher de sopa de queijo parmesão ralado
– 1 colher de sopa de requeijão cremoso
– Água (aproximadamente 2,5l)
– Azeite de oliva
– Sal a gosto
 
 
Modo de preparo: 
 
– Deixe as ervilhas de molho por cerca de uma hora e depois leve-as para cozinhar na panela de pressão. Quando a panela chiar, conte 20 minutos e desligue, deixando a pressão sair normalmente. 
– Hidrate os tomates secos em uma solução com água e bicarbonato de sódio por 40 minutos. Após este período, lave os tomates secos em água correntes e verifique se já estão bem macios. Deixe de molho na água até a hora de utilizar.
– Em uma panela aqueça o azeite em fogo baixo e doure a cebola, em seguida o alho. Se preferir lave o arroz, escorra e coloque-o para fritar um pouco com a cebola e o alho. Sempre em fogo baixo, acrescente a páprica, a noz moscada e uma colher de chá de sal diluídos em um copo americano de água. Mexa rapidamente e acrescente água equivalente ao triplo da quantidade de arroz que você tem na panela (são sempre duas partes de água e uma de arroz). Para o arroz amarelo não necessita aquecer a água, então coloque água fria, mas deixe uma chaleira com água fervendo caso precise acrescentar mais água durante o processo. 
 – Observe sempre o seu ponto e quando a água estiver começando a secar, pique o tomate seco e acrescente ao arroz. Mexa, se necessário acrescente água quente e deixe cozinhar mais alguns minutos. 
– Quando começar a secar novamente, escorra as ervilhas e acrescente-as a mistura. É provável que neste momento você não precise mais acrescentar muita água, mas se necessário, acrescente sempre bem aos poucos para não empapar. Observe se a ervilha está macia e se estiver, acrescente o queijo ralado e o requeijão e mexa bem para incorporar. 
– Nesta altura o arroz estará com cara de risoto e você pode acrescentar mais sal se achar necessário.
– Deixe secar mais alguns minutos e sirva regado com azeite de oliva e cebolinha verde picada. 
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Falso Risoto de Grão de Bico com Pimentão Amarelo e Gengibre
 
Ingredientes: 
 
– 5 xícaras de cafézinho de arroz parbolizado (o amarelo mesmo, de todo dia!)
– 150g de grão de bico
– 1 pimentão amarelo sem a parte branca e sem sementes picado
– 1 cebola pequena bem picadinha
– 2 dentes de alho micados e amassados com o garfo
– 1 colher de chá de açafrão
– 1 pedaço pequeno de gengibre descascado e picado
– cebolinha verde a gosto
– 1 xícara de cafezinho de salsinha picada
– 1 colher de sopa de queijo parmesão ralado
– 1 colher de sopa de requeijão cremoso
– Água (aproximadamente 2,5l)
– Azeite de oliva
– Sal a gosto
 
Modo de preparo: 
 
– Deixe o grão de bico de molho por cerca de uma hora e depois leve-os para cozinhar na panela de pressão. Quando a panela chiar, conte 20 minutos e desligue, deixando a pressão sair normalmente. 
– Em uma panela aqueça o azeite em fogo baixo e doure a cebola, em seguida o alho. Se preferir lave o arroz, escorra e coloque-o para fritar um pouco com a cebola e o alho.  Sempre em fogo baixo, acrescente o açafrão e o gengibre e deixe fritar alguns minutos com o arroz para liberar o aroma. Acrescente uma colher de chá rasa de sal diluída em um copo americano de água. 
– Para o arroz amarelo não necessita aquecer a água, então coloque água equivalente ao triplo da quantidade de arroz que você tem na panela (são sempre duas partes de água e uma de arroz), mas deixe uma chaleira com água fervendo caso precise acrescentar mais água durante o processo. 
– Mexa rapidamente e deixe o arroz cozinhar normalmente. Observe sempre o seu ponto e quando a água estiver começando a secar, acrescente o pimentão picado. Mexa novamente, e se necessário acrescente água quente e deixe cozinhar mais alguns minutos. 
– Quando começar a secar novamente, escorra o grão de bico e acrescente-os a mistura. É provável que neste momento você não precise mais acrescentar muita água, mas se necessário, acrescente sempre bem aos poucos para não empapar. 
– Acrescente o queijo ralado, o requeijão e mexa bem para incorporar. Em seguida acrescente a salsinha. Nesta altura o arroz estará com cara de risoto e você pode acrescentar mais sal se achar necessário.
– Deixe secar mais alguns minutos e sirva regado com azeite de oliva  e salsa fresca.
 
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E aí gostou? 
Essas foram as duas versões que fiz em casa nas últimas semanas e utilizei os ingredientes disponíveis.
Gosto de usar a combinação de arroz + leguminosa + outro legume para fazer esse “falso risoto”. As vezes utilizo berinjela e lentilha, lentilha e as três cores de pimentão, ou até mesmo brócolis, chuchu e alho poró… O que importa é fazer algo saboroso, de certa forma saudável e sem grandes sofisticações evitando o desperdício. Com relação aos temperos você pode personalizar como quiser, mas vale sempre pesquisar como um ou outro funciona, qual a “pungência” de determinadas ervas, etc. Há sempre bons livros e bons sites culinários falando sobre isso, então só erra quem quer! 
Notem que posto muitas coisas sem carne, pois durante a semana evito bastante seu consumo – mas estou longe de ser vegetariana ou vegana… é uma questão de hábito e gosto mesmo, que tem origem em uma história magnífica de família, que um dia conto pra vocês! 
 
E por hoje é isso aí! 
Abraço grande! 
 
 

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