“Divertisidade” – O brigadeiro do Jamie Oliver, cultura alimentar e Falafel!

Boa tarde Sossegados!!!

Tudo bem?

A postagem de sexta ficou para hoje, domingo, e estou aqui refletindo várias coisas bacanas que gostaria de compartilhar…

Essa polêmica toda da declaração do Jamie Oliver a respeito do brigadeiro, me levou a uma viagem sobre a cultura alimentar: Tá aí um assunto digno de destaque, sobre o qual poderíamos divagar uma noite inteira e ainda faltar conversa para completar na noite seguinte.

Sei que o brigadeiro brasileiro foge aos padrões “jamieoliverianos” de alimentação por ser muito gorduroso e excessivamente doce, mas há inúmeras receitas com variações mais saudáveis que francamente, o GNT contratante do chef, sabendo a linha do indivíduo, poderia no mínimo ter apresentado algo mais próximo do seu paladar.

Em contrapartida, ele também poderia ter sido menos deselegante e menos soberbo ao taxar o doce como “monte de porcaria” e “um horror”. Humor bretão ou não, no fim tudo se resume a uma velha máxima, que aprendi com minha prima, a Roberta: ” A gente paga muito pau pra gringo”.

Longe de mim contestar a genialidade do persona, inclusive acompanho seus programas quando posso, mas criteriosamente adapto suas dicas e receitas a minha realidade – porque né, economizar com Jamie Oliver na Inglaterra é uma coisa, mas fazê-lo a sua moda aqui na terrinha, é outra bem diferente, concordam?

(…)

Enfim, falando de cultura alimentar, amarro os dois assuntos porque coincidentemente sexta feira almocei com a família do Marcelo (meu companheiro) e falávamos sobre hábitos alimentares. Nesse contexto, meu cunhado perguntou se eu sabia fazer “Strudell” também ou se só fazia comida árabe!

E entre um riso e outro, comecei a divagar mentalmente sobre o assunto e compartilho aqui as minhas anotações mentais.

Ainda que morando em uma mesma cidade ou região, cada família cria uma determinada característica em sua cultura alimentar que vai se transferindo, geração após geração. Lembro que em casa raramente se consumia miúdos de galinha ou frango, ou carne suína, por exemplo, algo que na família do Marcelo é muito mais comum; isso só para relatar superficialmente, pois a lista vai longe! E assim assim, vamos “trocando figurinhas” e aprendendo um com o outro novos sabores, texturas, temperos, possibilidades, nomes e referências.

Essa relação estreita com a comida árabe, denotada pelo meu cunhado – embora eu não tenha a referia ascendência – começou lá na adolescência, mas a história que mais me emociona e que sempre recordo carinhosamente, é esta que relatarei a seguir.

Meu pai sempre foi aficionado por temperos e por hábitos e costumes alimentares dos povos. Sempre lia muito a respeito e apareceu certa vez com um gigantesco livro contendo os segredos da cozinha árabe. Era um livro caro e gerou algumas discussões. 

Lembro de sua capa preta lustrosa, dura e luxuosa.

Seu interior era impresso em um papel de boa qualidade, continha muitas fotografias e ensinava combinações e preparos de “n” pratos, dos mais tradicionais aos mais contemporâneos. Com um pouco de concentração e imaginação era possível sentir o cheiro dos temperos ao folheá-lo.

Baseado nesse livro, ele desenvolveu um recheio fantástico de carne moída para os salgados que eles produziam para vender – e isso muito antes de a rede de fast food Habib’s abrir suas lojas em Curitiba e popularizar a esfiha aberta e seu recheio “árabe”. 

Pensando nisso, esses dias lembrei do falafel, um bolinho à base de grão de bico e temperos, muito utilizado para rechear sanduíches de pão sírio ou como acompanhamento de saladas. Além de todas as propriedades do grão de bico, o falafel é muito aromático e pode até ser servido como petisco vegan.

Originalmente não contém glúten ou lactose embora duas das receitas que testei levaram farinha de trigo integral, mas acredito ser dispensável, pois além de deixar o bolinho mais pesado, influencia no sabor final.

Reproduzi e testei três receitas diferentes: Uma do Cantinho Vegetariano, uma da Bela Gil e a do “Ás du Falafel”. 

Encontrei essa matéria no blog “Eu como sim” falando de um local que vende sanduíche de falafel em Paris, e segundo a chef, é o melhor da cidade. Não duvido pois de todas as receitas, este foi o mais saboroso, sem contar que a orientação de como fazer é mais clara e detalhada.

Como durante a semana praticamente não consumo carnes, fiz o falafel para comer como petisco, acompanhando o molho de tahine, na intenção de agradar o Marcelo, que de início duvidou um pouco e torceu o nariz., mas depois concordou que era realmente delicioso. 

Preparado com o grão de bico cru, que precisa ser deixado de molho na água na véspera para amolecer, o falafel dá um pouco de trabalho e é preciso ter um processador  ou um liquidificador bem potente para adquirir a textura correta ao misturar os ingredientes. Caso você não disponha de nenhuma dessas ferramentas, encontrei essa receita aqui com o grão de bico cozido, mas não experimentei ainda! 

Com relação aos temperos, o coentro talvez você não encontre facilmente no mercado, mas basta encomendar na verdureira mais próxima da sua casa. De todos os temperos utilizados ele é o que mais sobressai, possui um aroma levemente doce e bem marcado!

A única modificação que fiz  foi retirar a pele do grão de bico depois que ele ficou de molho, assim a digestão fica mais fácil e a consistência do bolinho fica melhor!

Ah, e quando for fritar, o óleo precisa estar bem quente.

Segue abaixo a foto da versão que fiz para as duas primeiras receitas, os mais claros são do “Cantinho Vegetariano” e os mais escuros ao fundo são da “Bela Gil”. 

 

 

Não fiz fotos da versão do “Às du Falafel” porque ficou tão bom, mas tão bom, que comemos tudo e não deu tempo…mas recomendo “com força” que você experimente fazer esse em casa! 
E aí, vai arriscar? 

Depois conta pra gente como ficou a sua versão! 

Abraço e grande e uma ótima semana!

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