Salada de couscous: Pollan, Oliver e um turbilhão de sabores, ideias e reflexões!

Muito boa noite Sossegados! 
E aí, tudo bem? 
 
Essas últimas semanas foram apuradíssimas! Firmamos algumas parcerias e estamos trabalhando a todo vapor, e como nossa jornada ainda é dupla, infelizmente não conseguimos postar sempre que queremos! 
Enfim, o importante é que pelo menos uma “vezinha” na semana damos aquele jeito esperto de produzir um conteúdo bacana para compartilhar com vocês! 

 
No trajeto do trabalho e no pouco tempo que me sobra no horário de almoço, procuro me ocupar da leitura, e minha última aquisição foi o livro “Comida: uma história natural da transformação”, do americano Michael Pollan (o meu comprei via internet pelo site da Americanas – não é jabá – o lugar mais em conta que encontrei!).
Autor de alguns best-sellers em se tratando de alimentação, hábitos alimentares e outras reflexões que relacionam o ser o humano e a comida, Pollan tem feito minha cabeça trabalhar turbinada quase que as 24 horas do dia,  pois a quantidade de informação que ele transmite é absurda. 
Uma das passagens interessantes do livro é a abordagem que ele faz a respeito da relação do homem (no sentido de ser humano, tá gente? ) com o ato de cozinhar: que segundo as hipóteses e teorias dos antropólogos que seguem esse raciocínio – passar a preparar nossa comida permitiu que nosso estômago diminuísse e nosso cérebro crescesse, afinal a comida cozida é mais fácil de se digerir que a comida crua. 
Tanto é fato o feito, que os outros animais passam mais tempo digerindo os alimentos crus, e possuem estômagos maiores (e até mais de um estômago), necessários para processar os nutrientes. 
Aliado a isso, o autor faz uma análise crítica sensacional acerca dos rumos que tomam a produção de alimentos em larga escala e a industrialização/mecanização da nossa alimentação, transferindo esse processo natural a terceiros. 
É claro que não se pode negar a praticidade de se chegar em casa, abrir seu freezer e encontrar lá algo ” duvidosamente apetitoso” que sacie nossa fome, porém, essa comida cheia de aditivos artificiais, além de deturpar nossa sensação de paladar causa sérios danos a nossa saúde, sem contar nos danos causados a nossa sociabilidade: comer sozinho um subproduto industrializado congelado, extremamente salgado de uma empresa “S” qualquer, não tem o mesmo prazer que transformar  ingredientes diversos em um prato saboroso, cheio de aromas e de histórias, para compartilhar com as pessoas que amamos. 
Então só para pensarmos um pouco, fecho  esta reflexão com o trecho abaixo: 

Existe atividade menos egoísta, trabalho menos alienado, tempo menos desperdiçado do que aquele gasto preparando algo delicioso e nutritivo para quem você ama?” (POLLAN, 2014 p.30)

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Engatando no rumo da prosa, falando em cozinhar para quem a gente ama, ontem fiz um prato baseado na receita “Chef Britânico que não gosta de brigadeiro” (brincadeirinha Jamie, amo você), extraída de um livro que adquiri durante um dos meus garimpos pelos sebos da cidade. 
Em “Jamie Oliver – O Chef sem mistérios”, ele traz receitas diversas e dicas do que você deve ter na cozinha, como comprar vegetais, o que combina com o que, etecétera e tal. 
Muito válido, mas é preciso se ater a algumas diferenças culturais e adaptar os ingredientes que são mais difíceis de se encontrar por aqui! 
Escolhi o couscous marroquino porque acompanhei alguns programas do queridinho e fiquei curiosa! A textura desse ingrediente é diferente do cuzcuz paulista da Ofélia Anunciato que já publiquei aqui. Segundo Oliver: 

O couscous vem da África do Norte e é processado a partir da semolina (*). Depois é seco e enrolado em pequenas bolinhas. Ele existe há uma centena de anos. Você pode utilizá-lo da mesma maneira que o arroz- para absorver molhos, ou como uma salada, ou talvez, de um modo mais clássico, acompanhando um cordeiro guisado picante ao estilo marroquino.” (OLIVER, 2008 p. 179)

Bem, aqui em Jaraguá do Sul, o couscous marroquino não é tão barato como ele sugere em outra parte do texto e nem tão fácil de encontrar, mas comprei uma caixinha em uma casa de produtos naturais – Cia da Saúde – ao preço de R$ 6.80 / 500g. 
O que me levou a preparar o dito cujo? 
Bem, foi um misto de provar algo diferente, utilizar os ingredientes que tinha em casa e o mais óbvio de todos, cozinhar para quem eu amo: ultimamente o “Marceloves” anda “numas” de consumir mais saladas e dar um tempo nas massas e risotos – pelo menos durante a semana – e assim assim, estou procurando opções mais leves para nós. 
Nesse cenário, escolhi a receita da salada de couscous, adaptando claro, ao que eu tinha disponível na despensa, na geladeira e no bolso! 
Originalmente a receita do Jamie Oliver leva, entre outros ingredientes, 2 pimentões vermelhos, 1 pimenta chilli média fresca e vinagre de vinho tinto. Como o preço do pimentão está “pela hora da morte”,  troquei por brócolis em ramo. A pimenta fresca substituí por uma pimentinha biquinho em conserva que eu mesma fiz e já estava curtindo havia umas duas semanas, e o vinagre de vinho eu também não tinha, então preferi utilizar um balsâmico cremoso – que dá um sabor levemente adocicado – na hora de servir.
Ele também pede um punhado de ervas frescas e o mais próximo que eu dispunha era salsinha (!). Então aproveitei as folhas do salsão que passei na centrífuga (outro dia falo sobre esse acessório para vocês) e estavam perfeitas, acondicionadas em um recipiente fechado sob refrigeração. 
O resultado ficou muito bom e compartilho com vocês aqui a minha versão! 
Acompanha lá!
 
 
 
Salada de Couscous do Sossega
(adaptada de Jamie Oliver – O Chef sem mistérios, p. 180)
 
 Ingredientes: 
 
250g de couscous
2 colheres de sopa de suco de limão
5 colheres de sopa de azeite de oliva
1 colher de chá rasa de sal
1 colher de chá rasa de pimenta do reino moída na hora
285ml de água fria
1 maço de brócolis em rama
1 cebola roxa média picada bem pequena
1 pimenta fresca picada e sem sementes (este ingrediente é opcional, eu utilizei duas colheres de sopa da pimenta biquinho que já estava curtida há duas semanas)
2 tomates sem pele e sem sementes picados
folhas de salsão a gosto (utilizei aproximadamente uma xícara de chá bem cheia)
1/2 xícara de salsinha picada (e mais outra erva fresca que você tiver como manjericão ou coentro)
1 colher de sopa de uva passa preta
1 colher de sopa de uva passa branca
Azeite para temperar
Sal e pimenta a gosto para temperar no final (utilizei sal grosso moído na hora)
Aceto balsâmico cremoso para finalizar (isso é bem particular, vai do seu gosto)
 
 
Modo de preparo: 
 
– Faça um molho com as 2 colheres de sopa de suco de limão, as 5 colheres de azeite, 1 colher de chá rasa de sal, 1 colher de chá rasa de pimenta e os 285ml de água e mergulhe o couscous nessa mistura por aproximadamente 15 minutos. 
– Enquanto isso, cozinhe o brócolis no vapor (eu utilizei somente a parte das flores e guardei os talinhos no congelador para utilizar em um outro preparo).
– Acomode em um recipiente grande o brócolis, a cebola, a pimenta, os tomates e as passas. Acrescente o couscous e misture bem.
-Em seguida acrescente as folhas de salsão, as ervas frescas e prove o sal. 
– Tempere com azeite, pimenta e mais sal (se necessário).
 
 
Observações: 
 
– Sirva com aceto balsâmico cremoso (Di Modena), como prato principal, acompanhado de pão sírio ou com um peito de frango grelhado.
– Rende 4 porções generosas e fica ótimo se consumido no dia seguinte! 
– As folhas do salsão, que normalmente desperdiçamos são muito saborosas e conferem um certo frescor às saladas, então, aproveite! 
– Você pode trocar os ingredientes, mas aconselho manter a cebola, a pimenta fresca e o molho de limão, azeite e água para hidratar o couscous! 
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Gostou da ideia? Então testa e depois conta pra gente! 
Abraços carinhosos e uma ótima sexta feira!
 
 
 
Referências Bibliográficas:
OLIVER, Jamie. O chef sem mistérios / Jamie Oliver. São Paulo: Globo, 2008.
POLLAN, Michael. Cozinhar: uma história natural da transformação. Rio de Janeiro: Intríseca, 2014.
 

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